Os 5 erros que as PMEs cometem ao contratar uma agência de marketing digital

Os 5 erros que as PMEs cometem ao contratar uma agência de marketing digital

A maioria das PMEs que já pagou a uma agência de marketing digital sem ver resultados não teve má sorte. Teve um problema de sequência.

Contrataram execução antes de ter estratégia. Delegaram tarefas antes de saber o que queriam. Mediram resultados sem ter definido o que era um bom resultado.

Não é um problema de mercado. É um problema estrutural que se repete com uma regularidade impressionante, independentemente do setor, da dimensão da empresa ou do valor investido.

Contratar uma agência de marketing digital é uma decisão de negócio, não simplesmente a compra de um serviço. Serve para construir um sistema previsível de aquisição de clientes e funciona através da combinação de estratégia, execução alinhada com o público certo e medição com indicadores de negócio reais. Quando qualquer um destes três elementos falha, o investimento em marketing não tem o retorno esperado.

Ao longo de anos a trabalhar com PMEs de serviços em Portugal, identificámos cinco erros que explicam a esmagadora maioria das experiências negativas com agências de marketing digital. Nenhum deles tem origem na agência.

Os 5 erros mais comuns ao contratar uma agência de marketing digital

Erro 1: contratar execução sem estratégia

Este é o erro que normalmente desencadeia todos os outros.

Uma agência de marketing digital pode gerir muito bem as redes sociais, escrever artigos de blog, criar anúncios e produzir conteúdo visual. Mas se não souber com quem está a falar, o que essa pessoa precisa de ouvir e em que momento do processo de decisão está, toda essa execução é esteticamente aceitável e comercialmente inútil.

A estratégia precede a execução. Sempre.

Antes de contratar qualquer parceiro de marketing, é necessário ter definido, no mínimo: quem é o cliente ideal, quais são as suas dores reais, que canais usa para pesquisar soluções e qual é a mensagem que o convence a agir. Sem este trabalho, a agência vai executar no escuro.

Já trabalhámos com clientes que chegaram até nós depois de ter pago meses a uma empresa para gerir as redes sociais. Só as redes sociais, sem mais nada. Sem site otimizado, sem estratégia de captação, sem sistema de qualificação. O resultado era previsível: visibilidade sem retorno. Uma plataforma isolada, sem uma estratégia integrada por trás, não gera resultados comerciais consistentes.

Erro 2: não conhecer o público-alvo antes de delegar

Uma agência não pode conhecer melhor os teus clientes do que tu. Pode ajudar a estruturar esse conhecimento, mas não pode inventá-lo.

Quando uma PME externaliza o marketing sem ter feito um trabalho real sobre quem é o seu perfil de cliente ideal, o que acontece é inevitável: a agência escolhe plataformas baseada em boas práticas genéricas, publica em horários standard e usa mensagens que poderiam ser de qualquer empresa do setor.

Já vimos campanhas a correr no Facebook para públicos que só usavam o LinkedIn, artigos de blog publicados para perfis que nunca pesquisavam aquele tipo de conteúdo e anúncios a chegar a pessoas sem capacidade financeira para o serviço. Tudo isto porque ninguém tinha definido com precisão o perfil do cliente que se queria atrair.

O conhecimento do público-alvo não é uma responsabilidade da agência. É uma responsabilidade do empresário. A agência usa esse conhecimento para construir a estratégia certa.

No entanto, na FindUp, uma das principais implementações do Up Scale é fazer esse estudo, garantindo que mesmo quando o cliente não sabe quem é o seu cliente ideal, conseguimos fazer o nosso trabalho bem feito.

Erro 3: ausência de feedback contínuo

Nenhuma campanha funciona à primeira.

O processo de otimização é constante: lança-se, mede-se, ajusta-se. E grande parte dos ajustes mais importantes só podem ser feitos com informação que vem do lado do cliente, não da agência.

Quando os contactos chegam, quem tem perfil e quem não tem? Qual foi o argumento que mais convenceu nos últimos fechos? Que objeção está a aparecer com mais frequência nas reuniões?

O serviço mudou de preço ou de âmbito? Há um segmento de cliente que está a converter melhor?

Sem este fluxo de informação regular, a agência trabalha com dados de campanha mas sem contexto de negócio. E a qualidade dos resultados ressente-se disso.

O empresário que delega o marketing e depois não aparece durante dois meses está a sabotar o próprio investimento.

Erro 4: avaliar resultados com métricas de vaidade

Seguidores, alcance, impressões, taxa de clique. São métricas reais. Mas nenhuma delas paga salários.

Uma PME de serviços precisa de medir o marketing com indicadores de negócio: pedidos de orçamento gerados, custo por contacto qualificado, taxa de conversão de contacto para reunião, valor dos negócios fechados com origem em marketing digital.

Quando os relatórios da agência chegam cheios de gráficos de crescimento de seguidores e alcance de publicações, e o empresário aceita esses relatórios sem perguntar quantos pedidos de orçamento vieram dali, está a permitir que o sucesso seja medido pela régua errada.

A agência certa usa métricas de vaidade apenas como indicadores de saúde intermédia. O que reporta com ênfase são sempre os números que se ligam diretamente à faturação.

Erro 5: mudar de estratégia antes de ter dados suficientes

O marketing digital tem um ritmo próprio. E é mais lento do que a maioria dos empresários gostaria.

Uma campanha paga precisa de quatro a seis semanas para estabilizar. Uma estratégia de conteúdo precisa de três a seis meses para começar a gerar tráfego orgânico com consistência. Uma presença no LinkedIn precisa de meses de publicação regular para construir autoridade visível.

O que vemos com frequência é a mudança de estratégia, de agência ou de canais ao fim de dois meses, precisamente quando o trabalho ainda está na fase de aprendizagem e os dados ainda não são suficientes para tirar conclusões.

Mudar antes de ter dados é confundir falta de resultados imediatos com falta de resultados. São coisas diferentes.

O que deve estar definido antes de contratar qualquer agência de marketing digital

Antes de assinares qualquer contrato, há um conjunto de definições que têm de estar claras do teu lado.

  • Posicionamento: o que é que a tua empresa faz melhor do que qualquer concorrente, para quem e a que preço?
  • Público-alvo: quem é o teu cliente ideal com precisão real? Não “empresas de média dimensão”, mas: que setor, que dimensão, quem decide a compra, que dores tem, onde pesquisa soluções?
  • Objetivos comerciais concretos: quantos pedidos de orçamento qualificados precisas por mês? Qual é o teu ticket médio? Qual é a taxa de fecho atual?
  • Capacidade de resposta: quando chegarem contactos, quem responde, em que prazo e com que processo? Uma campanha que gera contactos às 10h da manhã e recebe resposta 48 horas depois tem uma taxa de conversão muito inferior ao potencial.
  • Orçamento real: não o orçamento mínimo que estás disposto a testar. O orçamento que faz sentido para o resultado que queres, no prazo que é realista.

Sem estas definições, qualquer agência vai trabalhar com premissas próprias. E as premissas da agência raramente são as premissas certas para o teu negócio específico.

Como avaliar se uma agência de marketing digital pensa o teu negócio

Há uma pergunta simples que separa as agências que executam das que pensam: o que é que precisam de saber sobre o teu negócio antes de começar a trabalhar?

Uma agência que começa a falar de plataformas, formatos e calendários editoriais antes de perceber quem é o teu cliente ideal, qual é a tua proposta de valor e quais são os teus objetivos comerciais não está a pensar o teu negócio. Está a vender o que sabe fazer.

Uma agência que começa por perguntar, por diagnosticar, por entender o contexto antes de propor qualquer solução, está a trabalhar como um parceiro estratégico, não como um fornecedor de tarefas.

A distinção importa porque o resultado é completamente diferente.

Agência de execução Parceiro estratégico
Pergunta: “Que plataformas quer usar?” Pergunta: “Onde está o seu cliente quando pesquisa?”
Apresenta propostas de formatos e calendários Apresenta um diagnóstico e uma estratégia
Reporta alcance e seguidores Reporta pedidos de orçamento e custo de aquisição
Avalia sucesso por atividade Avalia sucesso por resultado comercial
Precisa de aprovação de cada peça Trabalha dentro de um documento de orientação claro com autonomia

O papel do empresário numa relação com uma agência de marketing digital que funciona

Delegar o marketing não significa desaparecer do processo.

O empresário continua a ser a fonte de conhecimento mais valiosa que qualquer parceiro tem. Conhece os clientes, sabe o que fecha negócios, percebe as objeções que aparecem nas reuniões e tem casos reais que podem alimentar conteúdo de autoridade.

A relação que gera resultados é a de parceria ativa: o empresário traz o conhecimento do negócio, o parceiro de marketing traz a estrutura estratégica e a execução.

Quando um dos dois lados falha na sua parte, o resultado fica aquém do potencial.

Segundo o relatório do Content Marketing Institute, os profissionais de marketing B2B com melhor desempenho identificam como fator diferenciador o conhecimento profundo do público-alvo (79%) e a definição de objetivos alinhados com os objetivos comerciais da empresa (68%). Não a qualidade da execução isolada.

FAQ

Como saber se a agência de marketing digital que contratei tem uma estratégia real ou só executa tarefas?

Faz uma pergunta direta: “Com base no que sabe do meu negócio, porque é que escolheu estas plataformas e não outras?” Se a resposta for vaga ou baseada em boas práticas genéricas sem referência ao teu público específico, é sinal de que não existe estratégia real por trás da execução.

Uma agência com posição estratégica consegue explicar, com argumentos concretos, porque é que cada decisão faz sentido para o teu caso.

Quanto tempo devo dar a uma agência antes de avaliar resultados?

Para anúncios pagos, quatro a oito semanas para a fase de aprendizagem e estabilização. Para estratégias de conteúdo orgânico, entre três a seis meses. Avaliar ao fim de dois meses se a estratégia está a funcionar é, na maioria dos casos, tirar conclusões com dados insuficientes.

O que podes avaliar desde o primeiro mês é a qualidade do processo: rigor no diagnóstico, clareza nas métricas definidas e transparência nos relatórios.

É possível ter bons resultados com uma única plataforma de marketing digital?

Raramente, e dependendo do setor. Uma estratégia centrada num único canal tem um teto de crescimento baixo e uma vulnerabilidade alta a mudanças de algoritmo ou de comportamento do público.

A experiência que temos é clara: uma plataforma isolada, sem uma estratégia integrada por trás, não gera resultados comerciais consistentes para PMEs de serviços.

O que devo exigir num relatório mensal de marketing digital?

Pedidos de orçamento ou contactos qualificados gerados, custo por contacto, origem dos contactos por canal e tendência de evolução ao longo dos meses.

Alcance, seguidores e impressões são dados secundários, úteis para contexto mas não como indicadores principais. Se o relatório que recebes não responde à pergunta “quanto dinheiro entrou por causa do marketing este mês?”, pede que o formato seja alterado.

O maior erro ao contratar uma agência de marketing digital não é escolher a agência errada. É chegar à agência sem a estratégia que a agência precisa para trabalhar.

Execução sem estratégia é ocupação. É atividade que parece marketing mas não gera resultados comerciais mensuráveis. E quando os resultados não aparecem, a conclusão errada é que o marketing digital não funciona para o setor, quando o verdadeiro problema foi a sequência.

Estratégia primeiro, execução depois. Medição contínua e juste com dados reais. É isto que faz verdadeiramente a diferença.

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